Autor(a): Carla da Conceição de Souza
Orientador(a): Profa. Dra.
Caroline Francisca Eltink
Data: 23/06/2025
Resumo: Muito se tem dito a respeito de saúde mental e/ou da falta dela no
âmbito escolar, mas ainda são poucos os trabalhos que investigam o tema saúde mental de
coordenadores pedagógicos da Educação Básica. Esta pesquisa teve por objetivo
investigar quais fatores influenciam positiva e negativamente no processo da saúde mental do
coordenador pedagógico no contexto educacional, do ponto de vista de coordenadores de escolas. Trata-se
de um estudo qualitativo do tipo exploratório, que contou com a participação de quatro
coordenadores pedagógicos de escolas públicas do interior paulista. Os instrumentos de coleta
utilizados foram um roteiro de entrevista semiestruturado e um Inventário de Percepção de
Estresse e Estressores de Benzoni (IPEEB). Foram construídas quatro categorias de análise: 1
– Fatores que influenciam a saúde mental; 2 – Fonte dos Saberes; 3 –
Habilidades e competências necessárias ao cargo de coordenador; 4 – Estratégias
utilizadas pelos coordenadores para cuidar da saúde mental. Os resultados da pesquisa evidenciam a
predominância feminina nos cargos de gestão educacional. Os coordenadores, para exercer seu
trabalho, apoiam-se em três tipos de saberes: os pessoais, os provenientes da formação
inicial e contínua e os da experiência profissional. Nas entrevistas, emergiram como aspectos que
impactam negativamente a saúde mental dos coordenadores pedagógicos a sobrecarga de trabalho, a
exigência de múltiplas funções, a ausência de suporte institucional e a
cobrança por bons resultados. Complementarmente, a análise do IPEEB permitiu identificar que
dois dos quatro coordenadores apresentam maiores índices de percepção de estresse nos
domínios “estressores do ambiente de trabalho”, “estressores relativos à carga de trabalho”,
“estressores das condições de saúde”, e “estressores dos relacionamentos sociais”. Apesar
disso, nenhum participante apresentou índices muito acima da média populacional dos estudos
desenvolvidos por Benzoni. Por outro lado, configuraram-se como recursos para o enfrentamento dos desafios
cotidianos e dos estressores percebidos a adoção de estratégias de autocuidado, a
formação continuada e as redes de apoio entre os pares. Os participantes relatam que gostariam
que fossem implantados programas específicos voltados para a promoção de sua saúde
mental e criados espaços formais de troca de experiências entre pares, que houvesse maior
valorização do papel do coordenador pedagógico e implementação de medidas
que garantam melhores condições de trabalho e salário. Em conclusão, o cuidado com
a saúde mental dos coordenadores pedagógicos requer espaços de diálogo entre
pares, melhorias nas condições de trabalho, investimentos em formação e
valorização profissional. Os resultados deste estudo possibilitaram a elaboração
do Guia para Profissionais da educação: cuidando da saúde mental em tempos de NR1, cujo
objetivo é orientar e estimular reflexões para a construção de um ambiente escolar
capaz de promover bem-estar a todos os profissionais da educação, incluindo diretores e
coordenadores, além de contribuir com o cumprimento de alguns aspectos da NR-1, atualizada em 2024, com
a inclusão da gestão de riscos psicossociais e a atenção às
condições de trabalho na prevenção de agravos da saúde mental dos
trabalhadores.
Palavras-chave: Saúde mental; Educação básica; Psicologia
educacional; Estresse psicológico; Coordenação pedagógica.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos
Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Autor(a): Amanda Messias Mantovani Basilio
Orientador(a): Profa. Dra. Ana
Carolina Ferreira Castanho
Data: 05/12/2025
Resumo: O presente trabalho objetivou analisar a relação entre a economia do
cuidado e a saúde mental de uma amostra de mulheres em situação de vulnerabilidade social
em uma cidade do interior de São Paulo. Para isso, utilizou-se uma metodologia
exploratório-descritiva, que combinou métodos quantitativos para a coleta e a análise dos
dados. A economia do cuidado, conceito central do estudo, é compreendida como o trabalho não
remunerado que inclui atividades de planejamento e execução de tarefas domésticas e de
cuidado de dependentes, um papel historicamente atribuído às mulheres, mas frequentemente
invisibilizado. A amostra, selecionada por amostragem em bola de neve (Vinuto, 2014), foi composta por 86
mulheres de baixa renda, com mais de 18 anos e com dependentes sob sua responsabilidade. A coleta de dados foi
realizada por meio de entrevistas estruturadas, e as análises estatísticas incluíram
técnicas descritivas, testes de associação, como o qui-quadrado e o V de Cramer,
além de modelos de regressão linear univariados e multivariados, com o intuito de compor um
modelo explicativo para os impactos da economia do cuidado e os sentimentos coletados. As análises de
associação revelaram uma correlação significativa entre número de filhos e
sentimentos negativos, como tristeza, medo, solidão, culpa, frustração, desânimo e
incapacidade. Já a alegria mostrou-se significativamente relacionada às mulheres que recebem
algum tipo de ajuda nas atividades domésticas. Nos modelos de regressão, observou-se que os
sentimentos positivos foram positivamente influenciados pela idade, mas foram negativamente afetados por um
maior número de dias dedicados a trabalhos domésticos. Os sentimentos negativos, por sua vez,
foram preditos de forma significativa pelo aumento de atividades gerenciais domésticas. Outras
variáveis, como número de filhos e número de pessoas na família, embora relevantes
nas análises de associação, não apresentaram uma influência preditiva
considerável no modelo de regressão multivariado. Os resultados demonstraram que a maternidade
(relacionada a funções de cuidado e sobrecarga), especialmente em contextos de vulnerabilidade
social, molda significativamente a experiência emocional e a saúde mental das mulheres. Como
desdobramento prático dos achados sobre a sobrecarga do cuidado e a vulnerabilidade em saúde
mental, foi desenvolvido, como produto técnico-tecnológico, um fôlder digital. Intitulado
Da sobrecarga ao direito: compreensão do ato de cuidar e ser cuidado, o material visa à
transferência de conhecimento e à instrumentalização das mulheres para o
reconhecimento do trabalho e a reivindicação de direitos.
Palavras-chave: Economia do cuidado; Saúde mental; Mulheres; Vulnerabilidade social;
Trabalho não remunerado.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos
Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Autor(a): Laiane Paula Andreoleti
Orientador(a): Profa. Dra.
Lilian Cláudia Ulian Junqueira
Data: 05/12/2025
Resumo: A experiência de luto está além da perda por morte de um ente
querido, estando também presente nas perdas que ocorrem ao longo da vida. Objetivou-se analisar os
principais lutos vivenciados pelas mulheres e a potencialidade do uso da literatura em grupo na
elaboração dos lutos; mapear os diferentes tipos de luto experienciados pelas participantes ao
longo do ciclo vital; e compreender como as mulheres lidam com essas perdas. Para tanto, foi utilizada a
metodologia qualitativa e a pesquisa-intervenção. O estudo foi realizado em seis encontros
grupais com mulheres adultas, incluindo uma entrevista inicial semiestruturada, quatro encontros focais de
literatura a partir da obra Mulheres que correm com os lobos, da autora Clarissa Pinkola
Estés, e um encontro final para escuta e devolutiva em grupo, com o intuito de avaliar a perspectiva
das participantes quanto à potencialidade do uso da literatura na elaboração dos lutos,
além do fechamento do grupo. Os resultados indicaram várias categorias de luto, dentre elas:
luto por separação do vínculo conjugal; pelo corpo abusado; por sonhos não
alcançados; e por perdas por morte e aborto. Os dados foram analisados e discutidos à luz da
psicanálise, sendo o grupo um espaço para melhor compreensão do luto e partilha. Assim, a
experiência de grupo e literatura mostrou-se como espaço de continência psíquica e
reparação simbólica, permitindo que o tempo subjetivo do luto pudesse emergir sem pressa
e com escuta. Resultou da pesquisa-intervenção um protocolo de cuidados ao luto em grupo,
constituindo um produto técnico-tecnológico a ser replicado no cuidado à saúde de
mulheres, na modalidade on-line ou presencial.
Palavras-chave: luto; envelhecimento; mulher; grupo; saúde mental.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos
Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Autor(a): Tamys Duran
Orientador(a): Profa. Dra. Selma
Aparecida Geraldo Benzoni
Data: 08/12/2025
Resumo: A mulher traz em si uma grande resistência, luta por direitos e
reconhecimento. O diagnóstico de fibromialgia vem crescendo nos últimos anos, havendo maior
prevalência em mulheres. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo investigar se existe
relação entre o ser mulher e a fibromialgia, bem como oferecer ferramentas para o melhor manejo
terapêutico e para um atendimento humanizado em saúde. As participantes foram pessoas que se
autointitulam mulheres, com idade entre 30 e 55 anos, com diagnóstico de fibromialgia e estado mental
preservado. Como instrumentos, foram utilizados a entrevista semiestruturada, contendo perguntas de
identificação e questões referentes ao diagnóstico e à
relação entre o ser mulher e a fibromialgia, e o desenho-estória-tema (DET), que oferece
condições para o estudo de imaginários coletivos e para a compreensão de aspectos
internos que tanto podem interferir no desenvolvimento dos sintomas quanto trazer benefícios de ordem
emocional às participantes, além de uma entrevista devolutiva. A partir dos dados colhidos nos
três encontros, realizou-se a análise temática de Braun e Clarke (2019), emergindo as
seguintes categorias de análise: 1) A jornada – com as subcategorias a) Percurso até o
diagnóstico, b) Tratamentos utilizados, c) Comorbidades e d) Limitações vivenciadas; 2) A
construção do eu e suas relações, com as subcategorias a) O que é ser
mulher?, b) Sobrecarga e c) Violências; e 3) A cartografia da dor. Considerando a análise das
categorias, realizou-se uma segunda etapa do estudo, na qual houve a elaboração e
aplicação de um protocolo de manejo para grupo de suporte/apoio psicológico, com seis
encontros, realizados na modalidade on-line, com duração de 1h15 cada, para as participantes da
primeira etapa e para outras mulheres que também tinham diagnóstico de fibromialgia. Os
encontros tiveram temas definidos, e a discussão foi desencadeada por meio de estratégias e
técnicas pensadas anteriormente, mas com flexibilidade para que pudessem ser adaptadas às
demandas a partir das falas das participantes. O principal benefício do grupo foi a
identificação mútua entre as participantes com fibromialgia, gerando
validação individual e de sentimentos e incentivando a busca por atividades prazerosas na
rotina. Tal resultado validou qualitativamente o protocolo de manejo e o desenvolvimento do produto
técnico-tecnológico. As duas etapas da pesquisa possibilitaram concluir que existe
relação entre o ser mulher e a fibromialgia e que manejos realizados em grupo permitem maior
sentimento de coletividade e contribuem para a reflexão sobre possíveis mudanças a serem
realizadas.
Palavras-chave: mulheres; fibromialgia; psicanálise; grupo.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos
Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Autor(a): Milene Hormigo Kobayashi
Orientador(a): Profa. Dra. Marta
Regina Gonçalves Correia Zanini
Data: 08/12/2025
Resumo: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) constitui um dos maiores desafios
contemporâneos para a educação, em razão da complexidade de suas
manifestações. A inclusão efetiva contribui para a aprendizagem, o desenvolvimento e,
consequentemente, para a saúde mental de alunos, profissionais da educação e familiares.
Ter acesso à escola não é sinônimo de inclusão; é necessário o
atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos com TEA, sendo uma lacuna o conhecimento
técnico e prático para a adaptação de materiais didáticos regulares por
professores. O objetivo geral foi elaborar um guia para orientar a adaptação de materiais
didático-pedagógicos para alunos com TEA no Ensino Fundamental II, conforme princípios
legais e pedagógicos da Educação Inclusiva. Os objetivos específicos foram: a)
caracterizar o processo de adaptação de materiais didático-pedagógicos,
considerando a população de alunos com TEA, para uso de coordenadores e professores; e b)
avaliar a qualidade do guia, considerando a opinião de profissionais que atuam na inclusão
educacional. O método para a elaboração do guia prático seguiu o delineamento
exploratório, baseado no Design Instrucional, com aplicação do modelo ADDIE, o qual
contemplou as fases de análise, desenho, desenvolvimento, implementação e
avaliação para a produção de material instrucional. Para a avaliação
de conteúdo, foi elaborado um formulário on-line contendo questões objetivas sobre a
qualidade do texto, das imagens e a facilidade de acesso e uso, o qual foi respondido por 23 profissionais da
área da educação (professores, diretores, psicopedagogos e outros). O acesso aos
profissionais ocorreu por conveniência, por meio de divulgação em redes sociais. As
respostas ao formulário foram tabuladas e quantificadas em termos de frequência e percentil. Como
resultado, tem-se a produção do guia, que contempla os seguintes tópicos: a)
Introdução ao tema; b) O Transtorno do Espectro Autista; c) Os níveis de gravidade de
TEA; d) O processo de adaptação do material didático; e) Etapas de
adaptação de material didático; e f) Considerações finais. A
avaliação do guia pelos profissionais foi positiva quanto à clareza da linguagem,
à compreensão das orientações, à relevância das
ilustrações e aos exemplos apresentados; porém, verificou-se a necessidade de
revisão ortográfica e gramatical. Compreende-se que a validação de conteúdo
foi útil para verificar o potencial do guia como recurso aos profissionais da educação,
em especial aos professores, na tradução de informações clínicas para
práticas pedagógicas, na ampliação do repertório de recursos adaptativos e
no fortalecimento da articulação entre família, escola e equipe multidisciplinar.
Considera-se importante a continuidade do processo de validação do guia, com a
realização de estudos de viabilidade e de eficácia, em contextos diversos, o que
possibilitaria ajustes progressivos e ampliaria sua utilização como produto técnico,
científico e socialmente relevante para gestores, professores, famílias e demais profissionais
envolvidos no processo educativo de alunos neurodivergentes. Conclui-se que a elaboração deste
guia representa um avanço no campo da educação inclusiva e da saúde mental,
oferecendo um instrumento acessível, fundamentado em evidências científicas e legais, que
apoia a construção de uma escola mais equitativa e humanizada.
Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista; Inclusão Escolar; Materiais de
Ensino; Saúde Mental.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos
Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental e os diferentes contextos institucionais da
criança e do adolescente.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Autor(a): Laila Vitória Pizeta Bragagnolo
Orientador(a): Profa. Dra. Marta
Regina Gonçalves Correia Zanini
Data: 10/12/2025
Resumo: O desenvolvimento de crianças pequenas constitui um campo central para a
Psicologia, considerando-se a rápida evolução decorrente do crescimento biopsicossocial e
o impacto decisivo da primeira infância sobre o desenvolvimento e a saúde mental futura. Sob uma
perspectiva bioecológica, torna-se fundamental compreender o desenvolvimento infantil, considerando
não apenas características individuais, mas também as influências dos contextos
familiar e escolar, bem como sua relação com variáveis psicossociais e comportamentais,
tais como a socialização, o brincar e o tempo de exposição a telas. O objetivo
geral foi avaliar, por meio de instrumento padronizado, o desenvolvimento de crianças que frequentam o
Ciclo 4 de uma creche, considerando indicadores psicossociais e comportamentais avaliados pelos pais e a
socialização percebida pelo professor. Os objetivos específicos incluíram:
descrever e comparar o desenvolvimento infantil segundo sexo, lateralidade e nível
socioeconômico; identificar a percepção do docente sobre a socialização das
crianças; comparar o desenvolvimento entre grupos formados com base nessa percepção; e
caracterizar dificuldades, problemas de comportamento, relacionamentos interpessoais, bem como tempo de
brincadeiras e exposição às telas, verificando suas associações com o
desenvolvimento. Participaram 66 crianças, com idades entre 33 e 55 meses, matriculadas em um Centro de
Educação Infantil de Ribeirão Preto (SP), além de seus responsáveis (63
mães e três pais) e seis professoras. Foram coletados dados sobre desenvolvimento por meio do
Inventário Portage Operacionalizado (IPO). Os pais responderam a questionários
sociodemográficos sobre socialização, comportamento, relações
interpessoais, caracterização da criança, tempo de tela e brincar. As professoras
responderam a questionários sobre a socialização da criança. Foram realizadas
análises estatísticas descritivas, correlacionais e comparativas. Os resultados indicaram que,
de modo geral, as crianças apresentaram níveis satisfatórios de desenvolvimento, com
destaque para os domínios motor, de linguagem e de socialização, nos quais a grande
maioria obteve classificação igual ou superior ao percentil 75. Verificou-se
associação positiva entre o nível socioeconômico e os domínios de linguagem
e socialização, além de correlações negativas entre os domínios do
IPO e dificuldades de fala e linguagem. O brincar, especialmente quando diversificado e frequente, mostrou-se
um fator de proteção ao desenvolvimento, associado a maiores médias em
cognição e socialização. Em contrapartida, o tempo excessivo de
exposição a telas associou-se a indicadores desfavoráveis de socialização e
linguagem, reforçando achados de que o uso não mediado de tecnologias pode limitar as
interações interpessoais e a comunicação verbal na primeira infância. Os
achados evidenciam a importância da creche como espaço de promoção do
desenvolvimento integral e como contexto privilegiado para a observação sistemática das
crianças. Ademais, ressaltam a relevância das parcerias entre família e escola na
identificação precoce de dificuldades e na criação de ambientes ricos em
estímulos afetivos e cognitivos. O estudo contribuiu tanto para a produção
científica quanto para a prática institucional, subsidiando ações voltadas
à promoção da saúde mental e do desenvolvimento saudável na primeira
infância. Como desdobramentos, foram elaborados produtos técnicos e tecnológicos, como
relatórios para gestores e educadores, materiais psicoeducativos e um guia de orientação
a pais e responsáveis, com potencial de aplicação em outros contextos de
educação infantil.
Palavras-chave: desenvolvimento; socialização; primeira infância; telas;
brincar.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos
Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental e os diferentes contextos institucionais da
criança e do adolescente.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Autor(a): Celso Peito Macedo Filho
Orientador(a): Profa. Dra. Ana
Paula Parada
Data: 11/12/2025
Resumo: A perícia médica psiquiátrica desempenha papel essencial na
produção da prova técnica que orienta decisões judiciais. Apesar de sua
relevância social e jurídica, pouco se conhece sobre a atuação dos peritos
médicos psiquiatras no exercício dessa função. Este estudo teve como objetivo
investigar as percepções desses profissionais acerca de sua prática. Trata-se de um
estudo qualitativo, fundamentado em entrevistas semiestruturadas com cinco peritos médicos psiquiatras,
analisadas por meio da análise temática. Os participantes apresentam elevada
qualificação acadêmica, ampla experiência profissional e inserção
consolidada no campo pericial; contudo, atuam sem carreira no Estado, sem apoio institucional consistente e
com forte instabilidade na relação com o Judiciário. Os resultados revelam seis
núcleos de sentido: (1) desvalorização simbólica e institucional do perito e
condições materiais inadequadas; (2) sobrecarga burocrática decorrente de excesso de
quesitos e impugnações; (3) relações interprofissionais tensas, sobretudo com
advogados, e sensação de isolamento no trabalho; (4) sobrecarga de trabalho, com
repercussões na saúde física e mental; (5) percepção de futuro incerto para
a profissão, marcada por remuneração defasada, falta de formação
especializada e risco crescente de queda da qualidade pericial; (6) sugestões de melhoria centradas em
apoio institucional, critérios mais rigorosos para credenciamento, capacitação
contínua e reconhecimento da complexidade do trabalho pericial. A pesquisa evidencia a necessidade de
aprimoramentos organizacionais, melhor reconhecimento institucional e estratégias de
valorização do trabalho pericial, a fim de garantir maior qualidade técnica,
segurança jurídica e sustentabilidade da prática profissional do perito médico
psiquiatra. Como produto técnico, foi desenvolvido um podcast voltado à divulgação
científica acessível, com o objetivo de ampliar o alcance social dos achados e favorecer a
reflexão crítica entre profissionais do campo.
Palavras-chave: psiquiatria forense; laudo médico; saúde mental; medicina
legal.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos
Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Autor(a): Stela Maris Santos Rodrigues Silva
Orientador(a): Prof. Dr. Paulo
Eduardo Benzoni
Data: 11/12/2025
Resumo: A saúde mental no trabalho tem ganhado crescente atenção,
especialmente desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou sua
importância, refletida também na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou um aumento nos casos de suicídio entre pessoas em
atividade laboral. Nesse contexto, a questão do suporte organizacional emerge como crucial,
influenciando diretamente o bem-estar dos trabalhadores. Este projeto teve como objetivos desenvolver, aplicar
e avaliar um programa de capacitação em saúde mental no trabalho voltado para
líderes de uma rede de supermercados. Tratou-se de uma pesquisa quase-experimental com grupo
experimental (GE) e grupo-controle (GC), bem como etapas de teste e pós-teste após uma
intervenção. Para os testes, foram utilizados o Questionário de
Caracterização Demográfica e Social, a Escala de Percepção de Suporte
Organizacional (EPSO) e a Escala de Indicadores de Prazer-Sofrimento no Trabalho (EIPST). Foram estabelecidos
como GE os liderados dos líderes que passaram pelo treinamento e, como GC, os demais trabalhadores.
Para o programa de capacitação, foram escolhidos líderes de apenas um setor, e
utilizou-se como base do treinamento os fatores propostos pelas Diretrizes sobre saúde mental no
trabalho, da OMS (World Health Organization, 2022). A comparação dos resultados do teste
e do pós-teste em ambos os grupos apontou diferenças interessantes, embora não
estatisticamente significativas. Foram observadas alterações nos indicadores medidos, apontando
não apenas possíveis efeitos do treinamento, mas também reflexos da dinâmica
organizacional no período pesquisado. Foi possível perceber a importância de se trabalhar
o desenvolvimento das lideranças como agentes fundamentais para o desenvolvimento e a
manutenção da saúde mental no trabalho. O estudo possibilitou o desenvolvimento e a
manualização de um programa de capacitação de líderes para
atenção à saúde mental dos liderados, disponibilizado para que profissionais de
recursos humanos possam utilizá-lo em seus contextos de trabalho.
Palavras-chave: Saúde mental; Liderança; Trabalho.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos
Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Autor(a): Amanda Bragion
Orientador(a): Prof. Dr. Paulo
Eduardo Benzoni
Data: 12/12/2025
Resumo: O estresse tem se tornado um assunto de suma importância no mundo atual, e
diversas áreas científicas buscam contribuir para o tema, levantando formas diferentes de
mensurá-lo. A abordagem construtivista cognitiva de psicoterapia baseia-se na construção
do sujeito a partir das experiências individuais e dos ambientes em que ele está inserido e
propõe processos de desestruturação e reestruturação que favorecem uma
reorganização mais consoante e homeostática de cada processo subjetivo. Entende-se que as
tramitações de resposta de estresse acompanham os momentos de desestruturação e,
por meio da autopoiese, o organismo se reestrutura em estágios superiores, aumentando as possibilidades
de lidar de maneira saudável com os estressores. Esta pesquisa teve como objetivo desenvolver um modelo
de diagnóstico interventivo do estresse ocupacional, fundamentado na neuropsicologia e na psicologia
construtivista cognitiva. Foram desenvolvidos quatro estudos de caso de adultos que se percebiam enfrentando
um nível elevado de estresse, identificado como advindo do trabalho. Aos participantes, foi aplicada
uma bateria de instrumentos diagnósticos composta por Inventário de Percepção de
Estresse e Estressores de Benzoni (IPEEB), Escala Brasileira de Burnout (EBBurn), Escala de
Avaliação de Disfunções Executivas de Barkley – versão curta (BDEFS),
Bateria Online de Inteligência Emocional/Escala de Regulação Emocional (BOLIE), Escala de
Responsividade Social (SRS-2), Teste de Matrizes de Viena-2 (WMT-2) e Sistema de Avaliação por
Performance no Rorschach (R-PAS). Após a avaliação das técnicas
diagnósticas, foi realizada uma sessão de devolutiva orientativa dos achados, com o objetivo de
compreender melhor os resultados apurados. Na sequência, foram realizadas três sessões com
o objetivo de trabalhar os conteúdos pertinentes ao estresse e ao trabalho, com a
utilização das técnicas de desenho-estória temático, rebiografia
simbólica e árvore do resgate. Observou-se que, no conjunto de casos, o caminho percorrido com
as técnicas ao longo de seis sessões possibilitou um movimento de
desestruturação-reestruturação que resultou em maior autopercepção
da dinâmica estressora particular, melhora inicial do quadro de esgotamento e direcionamento para
ampliar o autocuidado de cada participante. Também foi observado que o estresse, mesmo quando
identificado como de origem ocupacional, envolve diferentes esferas do campo fenomenológico do sujeito
e, assim, necessita ser trabalhado com um olhar ampliado, para além do contexto laboral. Os resultados
se apresentaram promissores ao comporem um modelo de psicodiagnóstico interventivo do estresse, uma vez
que favoreceram uma melhora substancial nos casos trabalhados. A metodologia de psicodiagnóstico
interventivo desenvolvida é disponibilizada em formato de guia orientativo para profissionais de
psicologia, sendo útil para atendimentos em situações pontuais de estresse identificado
como advindo do trabalho.
Palavras-chave: estresse; estresse ocupacional; neuropsicologia; construtivismo.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos
Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Saúde Mental nos Contextos Institucionais.