Dissertações Defendidas - 2025

Programa de Mestrado Profissional em Práticas Institucionais em Saúde Mental

Título: Saúde mental e/ou a falta dela: impactos na coordenação pedagógica

Autor(a): Carla da Conceição de Souza
Orientador(a): Profa. Dra. Caroline Francisca Eltink
Data: 23/06/2025

Resumo: Muito se tem dito a respeito de saúde mental e/ou da falta dela no âmbito escolar, mas ainda são poucos os trabalhos que investigam o tema saúde mental de coordenadores pedagógicos da Educação Básica. Esta pesquisa teve por objetivo investigar quais fatores influenciam positiva e negativamente no processo da saúde mental do coordenador pedagógico no contexto educacional, do ponto de vista de coordenadores de escolas. Trata-se de um estudo qualitativo do tipo exploratório, que contou com a participação de quatro coordenadores pedagógicos de escolas públicas do interior paulista. Os instrumentos de coleta utilizados foram um roteiro de entrevista semiestruturado e um Inventário de Percepção de Estresse e Estressores de Benzoni (IPEEB). Foram construídas quatro categorias de análise: 1 – Fatores que influenciam a saúde mental; 2 – Fonte dos Saberes; 3 – Habilidades e competências necessárias ao cargo de coordenador; 4 – Estratégias utilizadas pelos coordenadores para cuidar da saúde mental. Os resultados da pesquisa evidenciam a predominância feminina nos cargos de gestão educacional. Os coordenadores, para exercer seu trabalho, apoiam-se em três tipos de saberes: os pessoais, os provenientes da formação inicial e contínua e os da experiência profissional. Nas entrevistas, emergiram como aspectos que impactam negativamente a saúde mental dos coordenadores pedagógicos a sobrecarga de trabalho, a exigência de múltiplas funções, a ausência de suporte institucional e a cobrança por bons resultados. Complementarmente, a análise do IPEEB permitiu identificar que dois dos quatro coordenadores apresentam maiores índices de percepção de estresse nos domínios “estressores do ambiente de trabalho”, “estressores relativos à carga de trabalho”, “estressores das condições de saúde”, e “estressores dos relacionamentos sociais”. Apesar disso, nenhum participante apresentou índices muito acima da média populacional dos estudos desenvolvidos por Benzoni. Por outro lado, configuraram-se como recursos para o enfrentamento dos desafios cotidianos e dos estressores percebidos a adoção de estratégias de autocuidado, a formação continuada e as redes de apoio entre os pares. Os participantes relatam que gostariam que fossem implantados programas específicos voltados para a promoção de sua saúde mental e criados espaços formais de troca de experiências entre pares, que houvesse maior valorização do papel do coordenador pedagógico e implementação de medidas que garantam melhores condições de trabalho e salário. Em conclusão, o cuidado com a saúde mental dos coordenadores pedagógicos requer espaços de diálogo entre pares, melhorias nas condições de trabalho, investimentos em formação e valorização profissional. Os resultados deste estudo possibilitaram a elaboração do Guia para Profissionais da educação: cuidando da saúde mental em tempos de NR1, cujo objetivo é orientar e estimular reflexões para a construção de um ambiente escolar capaz de promover bem-estar a todos os profissionais da educação, incluindo diretores e coordenadores, além de contribuir com o cumprimento de alguns aspectos da NR-1, atualizada em 2024, com a inclusão da gestão de riscos psicossociais e a atenção às condições de trabalho na prevenção de agravos da saúde mental dos trabalhadores.

Palavras-chave: Saúde mental; Educação básica; Psicologia educacional; Estresse psicológico; Coordenação pedagógica.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.

Título: Análise exploratória sobre economia do cuidado e saúde mental de uma amostra de mulheres socialmente vulneráveis na macrorregião de Ribeirão Preto

Autor(a): Amanda Messias Mantovani Basilio
Orientador(a): Profa. Dra. Ana Carolina Ferreira Castanho
Data: 05/12/2025

Resumo: O presente trabalho objetivou analisar a relação entre a economia do cuidado e a saúde mental de uma amostra de mulheres em situação de vulnerabilidade social em uma cidade do interior de São Paulo. Para isso, utilizou-se uma metodologia exploratório-descritiva, que combinou métodos quantitativos para a coleta e a análise dos dados. A economia do cuidado, conceito central do estudo, é compreendida como o trabalho não remunerado que inclui atividades de planejamento e execução de tarefas domésticas e de cuidado de dependentes, um papel historicamente atribuído às mulheres, mas frequentemente invisibilizado. A amostra, selecionada por amostragem em bola de neve (Vinuto, 2014), foi composta por 86 mulheres de baixa renda, com mais de 18 anos e com dependentes sob sua responsabilidade. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas estruturadas, e as análises estatísticas incluíram técnicas descritivas, testes de associação, como o qui-quadrado e o V de Cramer, além de modelos de regressão linear univariados e multivariados, com o intuito de compor um modelo explicativo para os impactos da economia do cuidado e os sentimentos coletados. As análises de associação revelaram uma correlação significativa entre número de filhos e sentimentos negativos, como tristeza, medo, solidão, culpa, frustração, desânimo e incapacidade. Já a alegria mostrou-se significativamente relacionada às mulheres que recebem algum tipo de ajuda nas atividades domésticas. Nos modelos de regressão, observou-se que os sentimentos positivos foram positivamente influenciados pela idade, mas foram negativamente afetados por um maior número de dias dedicados a trabalhos domésticos. Os sentimentos negativos, por sua vez, foram preditos de forma significativa pelo aumento de atividades gerenciais domésticas. Outras variáveis, como número de filhos e número de pessoas na família, embora relevantes nas análises de associação, não apresentaram uma influência preditiva considerável no modelo de regressão multivariado. Os resultados demonstraram que a maternidade (relacionada a funções de cuidado e sobrecarga), especialmente em contextos de vulnerabilidade social, molda significativamente a experiência emocional e a saúde mental das mulheres. Como desdobramento prático dos achados sobre a sobrecarga do cuidado e a vulnerabilidade em saúde mental, foi desenvolvido, como produto técnico-tecnológico, um fôlder digital. Intitulado Da sobrecarga ao direito: compreensão do ato de cuidar e ser cuidado, o material visa à transferência de conhecimento e à instrumentalização das mulheres para o reconhecimento do trabalho e a reivindicação de direitos.

Palavras-chave: Economia do cuidado; Saúde mental; Mulheres; Vulnerabilidade social; Trabalho não remunerado.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.

Título: Entre o viver e o morrer: os lutos de mulheres brasileiras cuidados através do grupo e literatura

Autor(a): Laiane Paula Andreoleti
Orientador(a): Profa. Dra. Lilian Cláudia Ulian Junqueira
Data: 05/12/2025

Resumo: A experiência de luto está além da perda por morte de um ente querido, estando também presente nas perdas que ocorrem ao longo da vida. Objetivou-se analisar os principais lutos vivenciados pelas mulheres e a potencialidade do uso da literatura em grupo na elaboração dos lutos; mapear os diferentes tipos de luto experienciados pelas participantes ao longo do ciclo vital; e compreender como as mulheres lidam com essas perdas. Para tanto, foi utilizada a metodologia qualitativa e a pesquisa-intervenção. O estudo foi realizado em seis encontros grupais com mulheres adultas, incluindo uma entrevista inicial semiestruturada, quatro encontros focais de literatura a partir da obra Mulheres que correm com os lobos, da autora Clarissa Pinkola Estés, e um encontro final para escuta e devolutiva em grupo, com o intuito de avaliar a perspectiva das participantes quanto à potencialidade do uso da literatura na elaboração dos lutos, além do fechamento do grupo. Os resultados indicaram várias categorias de luto, dentre elas: luto por separação do vínculo conjugal; pelo corpo abusado; por sonhos não alcançados; e por perdas por morte e aborto. Os dados foram analisados e discutidos à luz da psicanálise, sendo o grupo um espaço para melhor compreensão do luto e partilha. Assim, a experiência de grupo e literatura mostrou-se como espaço de continência psíquica e reparação simbólica, permitindo que o tempo subjetivo do luto pudesse emergir sem pressa e com escuta. Resultou da pesquisa-intervenção um protocolo de cuidados ao luto em grupo, constituindo um produto técnico-tecnológico a ser replicado no cuidado à saúde de mulheres, na modalidade on-line ou presencial.

Palavras-chave: luto; envelhecimento; mulher; grupo; saúde mental.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.

Título: Ser mulher: que dor é essa que se espalha pelo corpo?

Autor(a): Tamys Duran
Orientador(a): Profa. Dra. Selma Aparecida Geraldo Benzoni
Data: 08/12/2025

Resumo: A mulher traz em si uma grande resistência, luta por direitos e reconhecimento. O diagnóstico de fibromialgia vem crescendo nos últimos anos, havendo maior prevalência em mulheres. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo investigar se existe relação entre o ser mulher e a fibromialgia, bem como oferecer ferramentas para o melhor manejo terapêutico e para um atendimento humanizado em saúde. As participantes foram pessoas que se autointitulam mulheres, com idade entre 30 e 55 anos, com diagnóstico de fibromialgia e estado mental preservado. Como instrumentos, foram utilizados a entrevista semiestruturada, contendo perguntas de identificação e questões referentes ao diagnóstico e à relação entre o ser mulher e a fibromialgia, e o desenho-estória-tema (DET), que oferece condições para o estudo de imaginários coletivos e para a compreensão de aspectos internos que tanto podem interferir no desenvolvimento dos sintomas quanto trazer benefícios de ordem emocional às participantes, além de uma entrevista devolutiva. A partir dos dados colhidos nos três encontros, realizou-se a análise temática de Braun e Clarke (2019), emergindo as seguintes categorias de análise: 1) A jornada – com as subcategorias a) Percurso até o diagnóstico, b) Tratamentos utilizados, c) Comorbidades e d) Limitações vivenciadas; 2) A construção do eu e suas relações, com as subcategorias a) O que é ser mulher?, b) Sobrecarga e c) Violências; e 3) A cartografia da dor. Considerando a análise das categorias, realizou-se uma segunda etapa do estudo, na qual houve a elaboração e aplicação de um protocolo de manejo para grupo de suporte/apoio psicológico, com seis encontros, realizados na modalidade on-line, com duração de 1h15 cada, para as participantes da primeira etapa e para outras mulheres que também tinham diagnóstico de fibromialgia. Os encontros tiveram temas definidos, e a discussão foi desencadeada por meio de estratégias e técnicas pensadas anteriormente, mas com flexibilidade para que pudessem ser adaptadas às demandas a partir das falas das participantes. O principal benefício do grupo foi a identificação mútua entre as participantes com fibromialgia, gerando validação individual e de sentimentos e incentivando a busca por atividades prazerosas na rotina. Tal resultado validou qualitativamente o protocolo de manejo e o desenvolvimento do produto técnico-tecnológico. As duas etapas da pesquisa possibilitaram concluir que existe relação entre o ser mulher e a fibromialgia e que manejos realizados em grupo permitem maior sentimento de coletividade e contribuem para a reflexão sobre possíveis mudanças a serem realizadas.

Palavras-chave: mulheres; fibromialgia; psicanálise; grupo.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.

Título: Guia para adaptar materiais didáticos para alunos com TEA no Ensino Fundamental II: aplicação do modelo ADDIE

Autor(a): Milene Hormigo Kobayashi
Orientador(a): Profa. Dra. Marta Regina Gonçalves Correia Zanini
Data: 08/12/2025

Resumo: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) constitui um dos maiores desafios contemporâneos para a educação, em razão da complexidade de suas manifestações. A inclusão efetiva contribui para a aprendizagem, o desenvolvimento e, consequentemente, para a saúde mental de alunos, profissionais da educação e familiares. Ter acesso à escola não é sinônimo de inclusão; é necessário o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos com TEA, sendo uma lacuna o conhecimento técnico e prático para a adaptação de materiais didáticos regulares por professores. O objetivo geral foi elaborar um guia para orientar a adaptação de materiais didático-pedagógicos para alunos com TEA no Ensino Fundamental II, conforme princípios legais e pedagógicos da Educação Inclusiva. Os objetivos específicos foram: a) caracterizar o processo de adaptação de materiais didático-pedagógicos, considerando a população de alunos com TEA, para uso de coordenadores e professores; e b) avaliar a qualidade do guia, considerando a opinião de profissionais que atuam na inclusão educacional. O método para a elaboração do guia prático seguiu o delineamento exploratório, baseado no Design Instrucional, com aplicação do modelo ADDIE, o qual contemplou as fases de análise, desenho, desenvolvimento, implementação e avaliação para a produção de material instrucional. Para a avaliação de conteúdo, foi elaborado um formulário on-line contendo questões objetivas sobre a qualidade do texto, das imagens e a facilidade de acesso e uso, o qual foi respondido por 23 profissionais da área da educação (professores, diretores, psicopedagogos e outros). O acesso aos profissionais ocorreu por conveniência, por meio de divulgação em redes sociais. As respostas ao formulário foram tabuladas e quantificadas em termos de frequência e percentil. Como resultado, tem-se a produção do guia, que contempla os seguintes tópicos: a) Introdução ao tema; b) O Transtorno do Espectro Autista; c) Os níveis de gravidade de TEA; d) O processo de adaptação do material didático; e) Etapas de adaptação de material didático; e f) Considerações finais. A avaliação do guia pelos profissionais foi positiva quanto à clareza da linguagem, à compreensão das orientações, à relevância das ilustrações e aos exemplos apresentados; porém, verificou-se a necessidade de revisão ortográfica e gramatical. Compreende-se que a validação de conteúdo foi útil para verificar o potencial do guia como recurso aos profissionais da educação, em especial aos professores, na tradução de informações clínicas para práticas pedagógicas, na ampliação do repertório de recursos adaptativos e no fortalecimento da articulação entre família, escola e equipe multidisciplinar. Considera-se importante a continuidade do processo de validação do guia, com a realização de estudos de viabilidade e de eficácia, em contextos diversos, o que possibilitaria ajustes progressivos e ampliaria sua utilização como produto técnico, científico e socialmente relevante para gestores, professores, famílias e demais profissionais envolvidos no processo educativo de alunos neurodivergentes. Conclui-se que a elaboração deste guia representa um avanço no campo da educação inclusiva e da saúde mental, oferecendo um instrumento acessível, fundamentado em evidências científicas e legais, que apoia a construção de uma escola mais equitativa e humanizada.

Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista; Inclusão Escolar; Materiais de Ensino; Saúde Mental.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental e os diferentes contextos institucionais da criança e do adolescente.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.

Título: Desenvolvimento infantil de crianças que frequentam a creche: relações com indicadores psicossociais, comportamentais e socialização percebida por pais e professores

Autor(a): Laila Vitória Pizeta Bragagnolo
Orientador(a): Profa. Dra. Marta Regina Gonçalves Correia Zanini
Data: 10/12/2025

Resumo: O desenvolvimento de crianças pequenas constitui um campo central para a Psicologia, considerando-se a rápida evolução decorrente do crescimento biopsicossocial e o impacto decisivo da primeira infância sobre o desenvolvimento e a saúde mental futura. Sob uma perspectiva bioecológica, torna-se fundamental compreender o desenvolvimento infantil, considerando não apenas características individuais, mas também as influências dos contextos familiar e escolar, bem como sua relação com variáveis psicossociais e comportamentais, tais como a socialização, o brincar e o tempo de exposição a telas. O objetivo geral foi avaliar, por meio de instrumento padronizado, o desenvolvimento de crianças que frequentam o Ciclo 4 de uma creche, considerando indicadores psicossociais e comportamentais avaliados pelos pais e a socialização percebida pelo professor. Os objetivos específicos incluíram: descrever e comparar o desenvolvimento infantil segundo sexo, lateralidade e nível socioeconômico; identificar a percepção do docente sobre a socialização das crianças; comparar o desenvolvimento entre grupos formados com base nessa percepção; e caracterizar dificuldades, problemas de comportamento, relacionamentos interpessoais, bem como tempo de brincadeiras e exposição às telas, verificando suas associações com o desenvolvimento. Participaram 66 crianças, com idades entre 33 e 55 meses, matriculadas em um Centro de Educação Infantil de Ribeirão Preto (SP), além de seus responsáveis (63 mães e três pais) e seis professoras. Foram coletados dados sobre desenvolvimento por meio do Inventário Portage Operacionalizado (IPO). Os pais responderam a questionários sociodemográficos sobre socialização, comportamento, relações interpessoais, caracterização da criança, tempo de tela e brincar. As professoras responderam a questionários sobre a socialização da criança. Foram realizadas análises estatísticas descritivas, correlacionais e comparativas. Os resultados indicaram que, de modo geral, as crianças apresentaram níveis satisfatórios de desenvolvimento, com destaque para os domínios motor, de linguagem e de socialização, nos quais a grande maioria obteve classificação igual ou superior ao percentil 75. Verificou-se associação positiva entre o nível socioeconômico e os domínios de linguagem e socialização, além de correlações negativas entre os domínios do IPO e dificuldades de fala e linguagem. O brincar, especialmente quando diversificado e frequente, mostrou-se um fator de proteção ao desenvolvimento, associado a maiores médias em cognição e socialização. Em contrapartida, o tempo excessivo de exposição a telas associou-se a indicadores desfavoráveis de socialização e linguagem, reforçando achados de que o uso não mediado de tecnologias pode limitar as interações interpessoais e a comunicação verbal na primeira infância. Os achados evidenciam a importância da creche como espaço de promoção do desenvolvimento integral e como contexto privilegiado para a observação sistemática das crianças. Ademais, ressaltam a relevância das parcerias entre família e escola na identificação precoce de dificuldades e na criação de ambientes ricos em estímulos afetivos e cognitivos. O estudo contribuiu tanto para a produção científica quanto para a prática institucional, subsidiando ações voltadas à promoção da saúde mental e do desenvolvimento saudável na primeira infância. Como desdobramentos, foram elaborados produtos técnicos e tecnológicos, como relatórios para gestores e educadores, materiais psicoeducativos e um guia de orientação a pais e responsáveis, com potencial de aplicação em outros contextos de educação infantil.

Palavras-chave: desenvolvimento; socialização; primeira infância; telas; brincar.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental e os diferentes contextos institucionais da criança e do adolescente.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.

Título: Trabalho e saúde mental: uma investigação sobre a percepção do perito médico psiquiatra sobre sua atuação profissional

Autor(a): Celso Peito Macedo Filho
Orientador(a): Profa. Dra. Ana Paula Parada
Data: 11/12/2025

Resumo: A perícia médica psiquiátrica desempenha papel essencial na produção da prova técnica que orienta decisões judiciais. Apesar de sua relevância social e jurídica, pouco se conhece sobre a atuação dos peritos médicos psiquiatras no exercício dessa função. Este estudo teve como objetivo investigar as percepções desses profissionais acerca de sua prática. Trata-se de um estudo qualitativo, fundamentado em entrevistas semiestruturadas com cinco peritos médicos psiquiatras, analisadas por meio da análise temática. Os participantes apresentam elevada qualificação acadêmica, ampla experiência profissional e inserção consolidada no campo pericial; contudo, atuam sem carreira no Estado, sem apoio institucional consistente e com forte instabilidade na relação com o Judiciário. Os resultados revelam seis núcleos de sentido: (1) desvalorização simbólica e institucional do perito e condições materiais inadequadas; (2) sobrecarga burocrática decorrente de excesso de quesitos e impugnações; (3) relações interprofissionais tensas, sobretudo com advogados, e sensação de isolamento no trabalho; (4) sobrecarga de trabalho, com repercussões na saúde física e mental; (5) percepção de futuro incerto para a profissão, marcada por remuneração defasada, falta de formação especializada e risco crescente de queda da qualidade pericial; (6) sugestões de melhoria centradas em apoio institucional, critérios mais rigorosos para credenciamento, capacitação contínua e reconhecimento da complexidade do trabalho pericial. A pesquisa evidencia a necessidade de aprimoramentos organizacionais, melhor reconhecimento institucional e estratégias de valorização do trabalho pericial, a fim de garantir maior qualidade técnica, segurança jurídica e sustentabilidade da prática profissional do perito médico psiquiatra. Como produto técnico, foi desenvolvido um podcast voltado à divulgação científica acessível, com o objetivo de ampliar o alcance social dos achados e favorecer a reflexão crítica entre profissionais do campo.

Palavras-chave: psiquiatria forense; laudo médico; saúde mental; medicina legal.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.

Título: Programa de capacitação em atenção e cuidados à saúde mental no trabalho: uma experiência com líderes do setor supermercadista

Autor(a): Stela Maris Santos Rodrigues Silva
Orientador(a): Prof. Dr. Paulo Eduardo Benzoni
Data: 11/12/2025

Resumo: A saúde mental no trabalho tem ganhado crescente atenção, especialmente desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou sua importância, refletida também na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou um aumento nos casos de suicídio entre pessoas em atividade laboral. Nesse contexto, a questão do suporte organizacional emerge como crucial, influenciando diretamente o bem-estar dos trabalhadores. Este projeto teve como objetivos desenvolver, aplicar e avaliar um programa de capacitação em saúde mental no trabalho voltado para líderes de uma rede de supermercados. Tratou-se de uma pesquisa quase-experimental com grupo experimental (GE) e grupo-controle (GC), bem como etapas de teste e pós-teste após uma intervenção. Para os testes, foram utilizados o Questionário de Caracterização Demográfica e Social, a Escala de Percepção de Suporte Organizacional (EPSO) e a Escala de Indicadores de Prazer-Sofrimento no Trabalho (EIPST). Foram estabelecidos como GE os liderados dos líderes que passaram pelo treinamento e, como GC, os demais trabalhadores. Para o programa de capacitação, foram escolhidos líderes de apenas um setor, e utilizou-se como base do treinamento os fatores propostos pelas Diretrizes sobre saúde mental no trabalho, da OMS (World Health Organization, 2022). A comparação dos resultados do teste e do pós-teste em ambos os grupos apontou diferenças interessantes, embora não estatisticamente significativas. Foram observadas alterações nos indicadores medidos, apontando não apenas possíveis efeitos do treinamento, mas também reflexos da dinâmica organizacional no período pesquisado. Foi possível perceber a importância de se trabalhar o desenvolvimento das lideranças como agentes fundamentais para o desenvolvimento e a manutenção da saúde mental no trabalho. O estudo possibilitou o desenvolvimento e a manualização de um programa de capacitação de líderes para atenção à saúde mental dos liderados, disponibilizado para que profissionais de recursos humanos possam utilizá-lo em seus contextos de trabalho.

Palavras-chave: Saúde mental; Liderança; Trabalho.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.

Título: A percepção do estresse ocupacional a partir de um referencial construtivista cognitivo: diagnóstico interventivo

Autor(a): Amanda Bragion
Orientador(a): Prof. Dr. Paulo Eduardo Benzoni
Data: 12/12/2025

Resumo: O estresse tem se tornado um assunto de suma importância no mundo atual, e diversas áreas científicas buscam contribuir para o tema, levantando formas diferentes de mensurá-lo. A abordagem construtivista cognitiva de psicoterapia baseia-se na construção do sujeito a partir das experiências individuais e dos ambientes em que ele está inserido e propõe processos de desestruturação e reestruturação que favorecem uma reorganização mais consoante e homeostática de cada processo subjetivo. Entende-se que as tramitações de resposta de estresse acompanham os momentos de desestruturação e, por meio da autopoiese, o organismo se reestrutura em estágios superiores, aumentando as possibilidades de lidar de maneira saudável com os estressores. Esta pesquisa teve como objetivo desenvolver um modelo de diagnóstico interventivo do estresse ocupacional, fundamentado na neuropsicologia e na psicologia construtivista cognitiva. Foram desenvolvidos quatro estudos de caso de adultos que se percebiam enfrentando um nível elevado de estresse, identificado como advindo do trabalho. Aos participantes, foi aplicada uma bateria de instrumentos diagnósticos composta por Inventário de Percepção de Estresse e Estressores de Benzoni (IPEEB), Escala Brasileira de Burnout (EBBurn), Escala de Avaliação de Disfunções Executivas de Barkley – versão curta (BDEFS), Bateria Online de Inteligência Emocional/Escala de Regulação Emocional (BOLIE), Escala de Responsividade Social (SRS-2), Teste de Matrizes de Viena-2 (WMT-2) e Sistema de Avaliação por Performance no Rorschach (R-PAS). Após a avaliação das técnicas diagnósticas, foi realizada uma sessão de devolutiva orientativa dos achados, com o objetivo de compreender melhor os resultados apurados. Na sequência, foram realizadas três sessões com o objetivo de trabalhar os conteúdos pertinentes ao estresse e ao trabalho, com a utilização das técnicas de desenho-estória temático, rebiografia simbólica e árvore do resgate. Observou-se que, no conjunto de casos, o caminho percorrido com as técnicas ao longo de seis sessões possibilitou um movimento de desestruturação-reestruturação que resultou em maior autopercepção da dinâmica estressora particular, melhora inicial do quadro de esgotamento e direcionamento para ampliar o autocuidado de cada participante. Também foi observado que o estresse, mesmo quando identificado como de origem ocupacional, envolve diferentes esferas do campo fenomenológico do sujeito e, assim, necessita ser trabalhado com um olhar ampliado, para além do contexto laboral. Os resultados se apresentaram promissores ao comporem um modelo de psicodiagnóstico interventivo do estresse, uma vez que favoreceram uma melhora substancial nos casos trabalhados. A metodologia de psicodiagnóstico interventivo desenvolvida é disponibilizada em formato de guia orientativo para profissionais de psicologia, sendo útil para atendimentos em situações pontuais de estresse identificado como advindo do trabalho.

Palavras-chave: estresse; estresse ocupacional; neuropsicologia; construtivismo.
Área de Concentração: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.
Linha de Pesquisa: Saúde mental do adulto nos diferentes contextos institucionais.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Saúde Mental nos Contextos Institucionais.