Coordenadora e professora do curso de Letras da UNIP participam da ABRALIC 2022

A coordenadora do curso de Letras, Roseli Gimenes, e a professora de Letras dos campi Chácara Santo Antônio, Marquês e Vergueiro da Universidade Paulista - UNIP, Lígia Menna, participaram de simpósios temáticos do XVIII Encontro ABRALIC 2022 – Mundos Compartilhados, que ocorreu de forma virtual, no período de 11 a 15 de julho. Os simpósios temáticos integram a programação do evento e se distribuem em eixos que visam promover diálogos e discutir temas essenciais no âmbito da Literatura Comparada. 

As professoras apresentaram, respectivamente, os trabalhos Narrativas de vida: questões raciais e Um olhar sobre o protagonismo feminino e a concepção de juventude na literatura juvenil contemporânea, dentro dos simpósios: Educação Literária em Perspectiva Antirracista (eixo temático Literatura e Espaços Comuns de Aprendizagem) e Teorias Críticas da Literatura Juvenil Brasileira (2000-2020) – Reflexões e Debates (eixo temático Epistemologias Plurais, Saberes Comuns).

Em seu texto, Roseli Gimenes apresentou uma análise comparativa de duas obras literárias, destacando o percurso de Carolina Maria de Jesus e seu Quarto de despejo, que completou 60 anos em 2020, e a repercussão de Os supridores, de José Falero, lançado em 2020. Dentro dessa análise comparativa, a pergunta feita é a mesma que faz pensar nas muitas reflexões sobre o racismo no Brasil e como isso tudo aparece – ou desaparece – nas obras de autores e autoras negros.

Segundo a coordenadora, a seguinte hipótese se descortinou: passados tantos anos, a situação literária, a literatura com personagens negros e autores e autoras negros não parece tomar um rumo diferente. Ou seja, as narrativas dos dois autores apontando horizontes sociais dos lugares em que vivem não teria mudado. A análise comparativa e social destacou esses elementos no texto autobiográfico de Carolina, uma narrativa de vida, e no texto de Falero, uma ficção literária sobre jovens trabalhadores de um supermercado.

A professora Lígia Menna, por sua vez, abordou a produção literária para jovens no Brasil, também designada por literatura juvenil, que carrega polêmicas e um vasto campo de estudos e pesquisa ainda a ser percorrido. Como ponto de partida, a autora destacou que a concepção de juventude, ou mesmo de adolescência, é algo recente e complexo de definir, assim como o que seria jovem, adolescente e, mais recentemente, pré-adolescente. Essencialmente, a juventude é uma construção social marcada por etnia, gênero, religião e classe social. “Em nossa contemporaneidade, há de se observar que temas como o empoderamento feminino, a igualdade de gênero e a sororidade estão cada vez mais presentes em obras destinadas ao público jovem, o protagonismo feminino é uma tendência”, ressaltou a professora.

Para o artigo, Menna propôs uma reflexão a partir da análise dos romances, Minha vida não é cor-de-rosa, de Penélope Martins, e Ainda assim te quero bem, da mesma autora em parceria com Caio Riter, com base nos referenciais teóricos de Ana Margarida Ramos, Diana Navas, José Gregorin Nicolau Filho, entre outros.

Assista ao evento: https://abralic.org.br