Título: Preservação do Rebordo Alveolar com Fibrina Rica em Plaquetas e Leucócitos e Protocolos Avançados de Fibrina Rica em Plaquetas: uma Revisão Sistemática e Metanálise
Autor(a): Andre Marques Chanquini
Orientador(a): Prof. Dr. Marcio Zaffalon Casati
Data: 27/03/2026
Resumo: Objetivo: Esta tese teve como objetivo avaliar, por meio de revisão sistemática e metanálise, o desempenho clínico da fibrina rica em plaquetas e leucócitos (L-PRF), da fibrina rica em plaquetas avançada (A-PRF) e da fibrina rica em plaquetas avançada plus (A-PRF+) na preservação do rebordo alveolar (PRA) em alvéolos recém-extraídos, considerando alterações dimensionais ósseas, formação de novo osso e desfechos em tecidos moles e relatados pelos pacientes. Materiais e métodos: Esta revisão foi registrada no PROSPERO e conduzida de acordo com a diretriz PRISMA 2020. A pergunta de pesquisa foi estruturada segundo a estratégia PICO, incluindo pacientes com alvéolos recém-extraídos que receberam L-PRF, A-PRF ou A-PRF+ para PRA, em ensaios clínicos randomizados (RCTs). Buscas eletrônicas sistemáticas foram realizadas nas bases MEDLINE/PubMed, Scopus, Web of Science, Cochrane Library e Embase, além de literatura cinzenta (OpenGrey, ProQuest, Google Scholar) e registros de ensaios (ClinicalTrials.gov, ReBEC), sem restrição de data. Dois revisores independentes executaram a seleção por títulos/resumos, leitura de texto completo e extração dos dados; discordâncias foram resolvidas por um terceiro examinador. Foram incluídos RCTs que relatavam ao menos uma das variáveis: alterações ósseas verticais/horizontais, perda de corticais vestibular e lingual/palatina, neoformação óssea, densidade óssea, dor, edema, cicatrização, parâmetros de tecidos moles e relatados pelos pacientes. O risco de viés foi avaliado com a ferramenta RoB 2 da Cochrane. Foram realizadas metanálises para variáveis contínuas referentes ao L-PRF em 3 meses (alterações verticais da parede vestibular e palatina/lingual, alterações horizontais a 1, 3 e 5 mm abaixo da crista, e porcentagem de novo osso). Resultados: A busca inicial identificou 3.453 registros, dos quais 15 RCTs preencheram os critérios de inclusão. Metanálises foram possíveis apenas para L-PRF em 3 meses. O L-PRF apresentou pequenas alterações verticais médias, com perda discreta na parede vestibular (−0,26 mm; IC95% −0,50 a −0,20) e ligeiro ganho na parede palatina/lingual (+0,28 mm; IC95% 0,12 a 0,45). As alterações horizontais médias foram modestas: −0,16 mm (IC95% −0,30 a −0,02) a 1 mm abaixo da crista, +0,10 mm (IC95% 0,01 a 0,20) a 3 mm, e −0,71 mm (IC95% −0,86 a −0,56) a 5 mm. A neoformação óssea média nos sítios tratados com L-PRF foi de 48,13% (IC95% 45,19 a 51,07), com estudos individuais relatando frações de osso vital em torno de 45–55% após 2–3 meses. Os estudos com A-PRF demonstraram reduções verticais e horizontais de magnitude semelhante às observadas com L-PRF em aproximadamente 4 meses, e análises histomorfométricas reportaram proporções de osso vital geralmente entre 45% e 55%. Protocolos com A-PRF+ mostraram padrão de preservação parcial do rebordo, com maior reabsorção em regiões coronais e na tábua vestibular, sem superioridade clínica relevante em relação ao L-PRF em estudos boca dividida. Ainda assim, A-PRF+ apresentou elevadas proporções de tecido mineralizado (≈50–60% de volume ósseo/volume total), adequado preenchimento do alvéolo, aumento de espessura de tecido mole e parâmetros favoráveis de cicatrização precoce e perfusão gengival. Em geral, os índices de cicatrização de tecidos moles e os escores de dor pós-operatória foram favoráveis para todas as formulações. Três estudos foram classificados como baixo risco de viés, dez como “algumas preocupações”, e dois como alto risco, com principais limitações relacionadas a detalhes de randomização, cegamento, desvios da intervenção e relato seletivo de desfechos. Conclusão: L-PRF, A-PRF e A-PRF+ configuram abordagens biologicamente plausíveis e clinicamente úteis para preservação do rebordo alveolar, atenuando a reabsorção óssea fisiológica
pós-extração e promovendo formação óssea precoce, além de favorecerem a cicatrização de tecidos moles e o conforto pós-operatório. Contudo, a heterogeneidade metodológica, as diferenças nos protocolos de centrifugação e o risco de viés de parte dos estudos limitam a certeza das estimativas e impedem a identificação de qualquer formulação como claramente superior.
Palavras-chave: Implantes dentais; preservação alveolar; L-PRF; A-PRF; formação óssea.
Área de Concentração: Clínica Odontológica.